Eu sempre acreditei no meu Céu. No entanto, dessa vez, ele cobiçou em desabar sob minha cabeça. Tentei segurá-lo com solidez antes de se partir em mil pedaços. Fiquei inerte a tamanho estrago e qualquer justificativa para aquele momento, passava tímida e despercebida ao meu lado.
Sai sem nenhum arranhão. Talvez o peso do meu Céu fosse menor, se comparado com o da culpa que carrego por não ter aguentado firme a sua precipitação. No entanto, me coajo a entender os fatos e aceitar os seus pedaços. Eu sempre acreditei no meu Céu.
Meu Céu, tecido de fuligem, rangia de dor. Tentei juntar os seus cacos e indagar o motivo da sua queda brusca sob meu corpo. Qual mal eu teria lhe causado ou se havia alguma linha de insatisfação entre nós. Lembro-me de olhar, a cada manhã, para cima e desejar-lhe boas vindas ao novo dia. Quantas vezes fui protegida por ele quando me diziam que iria chover. Eu sempre acreditei no meu Céu.
Em meus braços, ele respondeu:
"Esse foi o único jeito de te ter junto a mim".
Naquele instante era meu Céu e eu, acima de nós, um imenso vazio.