segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

o sofá marrom

Vira
Mexe
Remexe
E afoga no sofá
De ponta cabeça
Retorna ao início
Desforra
Tenta manter-se inerte
Desmancha-se outra vez
O corpo
c
a
í
d
o
Por cima da alma
Com os braços cruzados
Gira
Por cima
Por baixo
E pára em si mesmo
Retorna ao início
Forra
Tenta manter-se esquecido
Guarda as lembranças
Por entre os dentes
Mastiga
Tritura
Engole
Molha-se de angustia e arde em calor
Queixa-se ao sofá
Rejeita si mesmo
Fingi está bem.

domingo, 12 de dezembro de 2010

o ciclo

Antes: Em minhas mãos já estiveram seguros alguns CDs velhos, um coração de porcelana e planos daqui para o futuro.

Durante: Recordo-me o bônus extra de felicidade esparramado em meu rosto e a profusão de gestos, sabor proteção-ao-recheio-de-carinho, que sondavam em minha direção.

Depois: Afastei-me com tamanho ardor o seu caminho dos meus passos e não nos sobrou uma gota derramada de ressentimentos.

Ainda Hoje: Eu só desejo que você se encontre. E se me vir em qualquer estrada, não sinalize. Os fracos, alguma vez, precisam se encontrar por si só.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

jeito jeans

Eu sei que meu jeito jeans de tom literário-azul-suave não é do seu agrado. Hoje, pensei em mudar o corte dos meus versos: talvez mais curto, repicado ou monossilábico. No entanto, no ar, o tédio tomou conta das minhas narinas. O aroma forte me fez espirrar cinco ou dez vezes consecutivas. Outra crise daquelas! Senti sua falta.

Decidi, por alguns segundos, te embrulhar em papéis sortidos e trocar por algumas moedas. Voltei atrás na procura da melhor embalagem. Eu te desejei o mais longe possível de mim e trouxe, na mesma hora, seu afago para o meu lado. Senti sua falta.

Quem sabe eu comece a partir das minhas vontades covardes ou só pelo meu jeito jeans. A brisa, que passa por essa janela, apenas me fez sentir: sem falta, sem sua.