Quando tudo estava afundado em um silêncio imperecível, eu perguntei:
- Ana, o que você faz quando seus sonhos se realizam?
E tudo em volta pareceu apontar para mim:
- Fico feliz, agradeço a Deus!
O “fácil” não me atrai o bastante para me calar, uma resposta simples e objetiva como tal fez com que eu sentisse comichão:
- Tudo bem, mas se as pessoas vivem em prol dos seus sonhos, seus objetivos e vontades, quando o sonho se realiza a vida perde o sentido?
Mais uma vez exalou o cheiro de um sentido escopo:
- A pessoa procura outro para sonhar.
Não quis ser intransigente em persistir numa resposta, de ao menos um parágrafo e sai pela tangente:
- Então é um ciclo? Aquele que deixa de sonhar, deixa de viver?
E antes que as cores e objetos perdessem o interesse por mim e a calma caísse mais uma vez sob meus pés, ela me disse:
- Creio que sim. Creio que sim.