domingo, 7 de dezembro de 2008

não me leve a mal...

São Petersburgo - Rússia, 19 de abril de 1986

Querido,

Devo antecipar que encontrará ao decorrer dessa carta alguns pensamentos gastos e outras confusões. Quero também te oferecer um brinde ao nosso relacionamento. Nesse momento, me encontro segurando um copo que entorna receio.

Querido, sei que a partir de agora seus olhos ficarão mais atentos a cada palavra aqui escrita e entenderei os seus pensamentos algozes em relação a mim – eu te perdôo. Precipito também que as minhas escolhas não se assemelham a contradições, apenas me permiti voltar atrás.

Gostaria de retornar ao momento em que joguei sob você um entulho de frases sem sentimentos. Porém, dizer que te amava era o único jeito que poderia te manter ao meu lado, no instante em que me dizia adeus.

Ó querido, não era segredo o tempo que você esperou para ouvir essas três palavras da minha boca, mas não me leve a mal, eu estava apenas apavorada. Acostumada com a sua presença, não me preparei para viver apenas comigo.

Por favor, deixo claro que meu gostar por você é pulsante, és especial. No entanto, presumo que me apaixonarei outras vezes e sentirei pulsante até encontrar outros queridos.
Não fique triste, te guardarei no meu baú de recordações junto aos meus livros de literatura. Sinta-se honrado.

Sinto-me honrada também, pois sei que, diferente de você, não estarei guardada em uma caixa de lembranças, lacrado com a frase “frágil”, mas caminharei por todos os lados do seu corpo e coração que deve estar fervendo de euforia ao terminar de ler essas últimas linhas.

Com gostar, Cassie

P.S. Seus sapatos ficaram aqui em casa.