há um tempo, eu me tive por inteiro. Dono de mim, do meu próprio sabor. Lembro-me de
sentar ao meu lado, contar histórias e tomar minha sombra como distração
diária. Propositalmente, empurrava as pernas para todos os lados do banco, afim
de que ocupassem todo o espaço e ninguém mais pudesse aproveitá-lo além de mim.
E quando eu me perdia em outros corpos, não houve uma vez que eu não soubesse o caminho de volta para me encontrar. Há um tempo, me sentia seguro em meus próprios
braços. Tratei meus calos, do mesmo modo que os tinha criado, mas não
deixei outras mãos me tocarem, além das minhas.
Carolina,
há um tempo, eu estive cheio de mim.
Eu nunca fui tão vazio.
- Pega um copo, toma um gole, bebe do meu.
Transborde em mim, Carolina. Não me deixe ser inteiro somente com as minhas próprias metades. Deixe-me transbordar em ti também. Há um espaço para você no meu velho banco