Hoje acordei cheirando a clichê e rotina, o que não me deixa surpreso. O grande desastre, porém, foi a falta d’água no banho. Como estava mais de vinte minutos atrasado, tive que vestir as roupas a seco e correr para pegar minha senha no mundo.
Eu, que normalmente não atraio olhares, fui perseguido por olhos de variados tamanhos e cores. A princípio achei que fosse coincidência, mas já estava cansativo me desviar de tantas miragens.
Apressei os meus passos, ao ponto de precisar segurar firmemente meus pés no chão, mas lá estavam os olhos de censura mais uma vez. Logo percebi o motivo de tamanha frustração: o odor que eu estava exalando.
É claro! O cheiro de clichê e rotina juntos é de embrulhar o estômago até de peixeiro que caminha sob o sol. Eu, que geralmente sou regido por gestos neutros, chamava toda e qualquer atenção.
Um lenço umedecido foi o bastante para tudo voltar como antes: sem olhares ao meu redor. O cheiro ardido de “parafernálias previsíveis” foi amenizado do meu corpo. Nunca achei que a falta de banho me renderia alguns minutos de atenção no mundo. Por alguns instantes, me senti visível, original...
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