sexta-feira, 17 de outubro de 2008

a resposta

Acende um cigarro, pensa positivamente e ler mais uma vez o discurso escrito em papel de ofício. Sem nenhuma linha para auxiliá-lo na escrita, suas palavras parecem dançar por todos os lados da folha de papel lisa, quase escapando de suas vistas. Tudo em vão. Não adiantou escrever as mais belas poesias ou explicações para que Cassie viesse perdoá-lo. Elas não iriam fazer efeito no instante que estivessem olho a olho. Apenas o deixaria de mãos abanando, umas covardes! Sumiram todas! E pensava que estavam tão guardadas em sua cabeça, pareciam ser grandes e velhos amigos.

Só, sem as palavras moldadas e nem o papel amassado, em suas mãos um coração que batia fervoroso, sequer tinha aquela velha piada de bolso, apenas um sorriso amarelo e lágrimas presas aos olhos. Elas não poderiam ser entregues assim tão facilmente, ficariam atreladas em seu olhar até certo tempo. Em sua frente, Cassie, aquela que é seu aconchego, o refúgio que tanto procurou nas noites frias, a resposta para as dúvidas que transbordavam em seu peito.

Naquele instante, ele se viu como criança indefesa, que acabara de ter feito traquinagem e nada poderia lhe salvar do belo castigo, a não ser um choro contagiante que o tirasse da posição de “culpado” e o levasse ao banco dos inocentes. E foi assim. Pouco importara as palavras, que por um tempo foram esculpidas para que se encaixassem perfeitamente naquela situação e que minutos antes de serem entregues, espatifou-se em mil pedaços. Ele sentia que seu coração chorava e precisava se ausentar da culpa, ele queria de volta o pedaço que faltava, quando foi levado por Cassie ao dizer que tudo chegara ao afim.

Sobre seus pés foram cuspidas todas as desculpas e sentimentos de mágoas que o sufocava. Sua boca era intérprete perfeita do seu coração - ela conseguia traduzir, da melhor forma, o que o pobre músculo ensanguentado sentia no momento. Naquele instante, ele não passava de um corpo, apenas um corpo. Seria a única vez que faria isso, uma chance a mais era o seu único desejo.

Ele não prometeu o céu, a Terra ou mar, ele não jurou perfeição, quiçá amor eterno, não fez metáforas, tampouco se estendeu em clichês, apenas disse: “eu posso passar por aquela porta agora e nunca mais ouvirás sobre mim ou posso fazer você se sentir viva, a cada manhã, quando meus lábios tocarem os seus, porque ainda que a manhã do amanhã não chegue, você vai saber que até o último momento existiu amor”.

A resposta de Cassie? Ainda não sei.