Saudade que vem de longe, que leva e traz e me consome
Castiga o peito e deixa marcas
Frenética passeia e ao caminhar, devaneia.
Ícone da desgraça distinta que leva o tolo à solidão
Ao chegar ingênua, oh doce menina
Com gosto de fel me beija a face como prêmio de consolação.
E dentro de mim geme e grita um eco forte da sua voz
Sua carne
Sua alma
Seu pecado
Faz de mim o seu escravo
E a que trajava o tom sereno, veste o capuz de um algoz.
Saudade devassou meu ser
Observou
Vulgarizou
Se alojou
Ao sussurrar, não pediu licença
Pois a cada partida, tenho a sua presença
Que assim despida, o meu desejo alimenta.
Estou sujeito ao clichê da sua volta que me deixa tão patético
Um dia tomo outro rumo
Padeço
Sumo
Assumo
O que me faz sucumbir de joelhos ao procurar afeto.
Enfim, assim só me verás o tempo suficiente em que seus olhos poderão aguentar
Um objeto em minha mão e nada mais
Um barulho
Um estouro
Um ruído
Sonoplastia de uma vida corriqueira, entrelaçada aos prantos por um coração fugaz.
Em um corpo frio a Saudade, então, jaz
Ao procurar outro peito quente e vazio
Em suas viagens de leva e traz.
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