Ela, que já não preferia o verde, preferiu escolher o amarelo como uma tentativa de inovar. O novo, de tom amarelado, encheu seus olhos que, por pouco, não saltaram sobre o balcão de compras. Fizera-se a cor verde sua companheira durante três anos e de nada reclamou.
Foste cúmplice das suas façanhas e ouvinte, quando o mundo lá fora dava-lhe as costas. Aqueles três anos não teriam sido suficientes para ela? Substituiria com tamanha convicção o interior esverdeado e suas recordações?
Deixava-se levar pelo entusiasmo da novidade que invadira a sua porta. Arriscou-se pelo outro, que, após mais três anos também cairia como o verde de outrora. No entanto, a tal novidade foi mais além, precisou apenas de três semanas e pintou o sete: o amarelo, que tomara lugar do verde, agora, desbotado, suja com êxito a parede que antes era enfeitada com um quadro do René Magritte.
O verde não volta mais
O amarelo pouco durou
Com medo da solidão, apelou para o bege - a única disponível.
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